quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Autismo na vida adulta: Empresa treina profissionais com TEA para o mercado de TI

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A gente ouve muito falar em autismo na infância, do desafio da inclusão escolar, mas o que será que acontece depois que estas crianças crescem? Será que elas conseguem arrumar um emprego, por exemplo?
Apesar de todas as dificuldades, muitos jovens com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) conseguem terminar a escola e até mesmo entrar na faculdade. Porém, quando o assunto é mercado de trabalho, muitos ficam para trás desde o momento da entrevista.
Estima-se que mais de 80% dos adultos com autismo não têm emprego. De acordo com uma pesquisa realizada pela National Autistic Society, entidade britânica de caridade,  apenas 12% dos adultos autistas com alto grau de funcionamento trabalham em tempo integral. Por outro lado, um estudo americano revela que 87% daqueles que receberam ajuda para encontrar emprego possuem um. Potencial e vontade eles têm, o que lhes falta é oportunidade.
No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo (2 de abril), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon lançou um “Call to Action” sobre o emprego, convidando empresas e administrações públicas a empenharem-se e comprometerem-se em contratar pessoas com autismo, reconsiderar a maneira como percebem essas pessoas, dedicar tempo para conhecer esta condição e, assim, criar oportunidades que podem mudar vidas. “Reconhecer os talentos das pessoas com TEA, ao invés de focar em suas fraquezas, é essencial para criar uma sociedade verdadeiramente inclusiva”.
A boa notícia é que algumas empresas ao redor do mundo estão descobrindo as vantagens em se trabalhar com pessoas no espectro. É o caso da Specialisterne, empresa social dinamarquesa que chegou ao Brasil há um ano. Com 20 escritórios espalhados pelo mundo, a empresa tem como objetivo aproveitar as capacidades especiais das pessoas com autismo para o mercado de TI. Os traços que geralmente excluem as pessoas com TEA do mercado são os mesmos que na Specialisterne os tornam empregados valiosos.
O Papo de Mãe foi conversar com a diretora de formação da Specialisterne, Fernanda Lima, para saber mais sobre como é feito  o trabalho de seleção e treinamento desses jovens.
Esperamos que iniciativas como esta se ampliem para outras áreas e que estes profissionais recebam o tratamento e  reconhecimento que merecem.
Clarissa Meyer – Portal Papo de Mãe
Confira a entrevista:





sábado, 18 de julho de 2015

Autismo e TDAH

No dia 02 de abril é comemorado o dia mundial do Autismo, criado pela Organização das Nações Unidas para conscientização sobre o tema. A denominação atual de “transtorno do espectro autista”, sugerida pelo DSM-5 , está associada a déficits persistentes na comunicação social e interação social em vários contextos, incluindo déficits na reciprocidade social, comportamentos não-verbais de comunicação utilizados para a interação social e habilidades de desenvolvimento, manutenção e compreensão das relações. Além dos déficits de comunicação social, o diagnóstico de transtorno do espectro autista requer a presença padrões restritivos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades (American Psychiatric Association, 2013).

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Os transtornos do espectro autista e o TDAH são transtornos do neurodesenvolvimento, com início precoce na infância. Embora os sintomas principais de diagnóstico não justifiquem uma sobreposição entre esses transtornos, altos índices de comorbidade entre eles tem sido reportados na literatura. Taxas de TDAH em indivíduos com autismo variam de 28 a 78% (de Bruin et al, 2007, Ronald et al, 2009). Também elevadas taxas de sintomas autistas tem sido observadas em indivíduos com TDAH. Por exemplo, em um estudo recente de crianças com TDAH, que excluía casos com a comorbidade com transtornos do espectro autista, 7% das crianças apresentavam altos níveis de sintomas autistas subclínicos, enquanto que outros 59% mostraram dificuldades modestas relacionadas a sintomas autistas (Mulligan et al, 2009). Anormalidades de atenção (excessivamente focada ou facilmente distraída) são comuns em indivíduos com transtorno do espectro autista, assim como a hiperatividade. Além disso, crianças com autismo e crianças com TDAH parecem ter problemas similares: ambos apresentam maior irritabilidade, raiva e problemas de comportamento do que crianças sem transtornos, déficits de função executiva, a velocidade lenta de processamento, disgrafia, dificuldade de aprendizagem na expressão escrita, e problemas de coordenação. Crianças com autismo e crianças com TDAH costumam ter atraso de linguagem precoce e problemas de sono (Mayes et al, 2012).
Apesar das similaridades, a pesquisa recente de Mayes e coloboradores (2012) mostra que o TDAH e os transtornos do espectro autista podem ser distinguidos através de seus perfis de sintomas. O estudo envolveu 847 crianças com autismo e 158 crianças com TDAH, de 2 a 16 anos e aplicou um questionário (checklist) sobre sintomas dos transtornos do espectro autista, com 30 itens. Todas as crianças com autismo apresentaram 15 ou mais sintomas, enquanto que a média das crianças com TDAH foi de 4 sintomas. Quase todos os 30 sintomas foram encontrados em mais da metade das crianças com autismo, enquanto que nenhum sintoma estava presente na maioria das crianças com TDAH. Ao contrário, os sintomas de TDAH foram muito frequentes no autismo. Por isso, crianças com autismo podem ser erroneamente diagnosticados com TDAH. De fato, na prática clínica, as crianças eventualmente diagnosticadas com autismo muitas vezes têm um diagnóstico prévio de TDAH. Assim, é muito importante conhecer os sintomas dos transtornos do espectro autista e distingui-los dos sintomas de TDAH para melhor direcionar as estratégias de intervenção.