quarta-feira, 4 de julho de 2012

MUNDO SINGULAR - Meu filho tem autismo e agora?

Olá amigos, 
hoje estou postando mais um texto maravilhoso, sendo este indicado pela mãe Adelle e que faz parte do livro Mundo Singular da Ana Beatriz Barbosa Silva.

MUNDO SINGULAR
CAPÍTULO 4 – MEU FILHO TEM AUTISMO E AGORA? UMA VISÃO FAMILIAR SOBRE O AUTISMO INFANTIL
PÁGINA 98, 99, 100, 101, 102 E 103.

  Com base em nossa experiência clinica, passamos a seguir algumas orientações básicas sobre o que os pais podem fazer para o melhor desenvolvimento dos seus filhos com autismo.

1 – Informe-se

Procure saber mais sobre o autismo e suas implicações. Outros pais, professores e os profissionais que cuidam do seu filho poderão ajudá-lo. Quanto mais informações você tiver sobre o assunto, maiores serão as chances de gerenciar o problema e buscar alternativas eficazes. Leia livros e sites respeitáveis. Existe muito material instrutivo disponível. Faça perguntas e tire suas dúvidas com o médico responsável pelo seu filho.

2 – Incentivar o filho a se cuidar sozinho.

Ajude-o a aprender a realizar as atividades básicas da vida diária (ABVDs), tais como: vestir-se, comer sozinho, tomar banho, se trocar. No início, pode ser necessário que você execute as atividades junto com seu filho, mas, com a prática, ele conseguirá realizá-las sozinho.

3 – Dar tarefas para ele realizar.

Procure dividir as tarefas complexas em etapas pequenas. Por exemplo, se a tarefa do seu filho é a de por a mesa, peça-lhe primeiro que escolha o número apropriado de guardanapos; depois, coloque cada guardanapo no lugar de cada membro da família. No inicio, será importante ajudá-lo. Se ele não conseguir, mostre como deve ser feito e faça junto com ele. Elogie o seu filho sempre que conseguir realizar um desafio que lhe foi apresentado.

4 – Treinar a generalização do aprendizado.

Participe das lições ou atividades que seu filho aprende nas terapias e na escola. Se estiver aprendendo a falar sobre animais, por exemplo, leve-o ao zoológico. Se for sobre números, utilize esse aprendizado em alguma atividade em casa, como contar quantos pratos precisam ser colocados sobre a mesa.

5 – Dividir as responsabilidades dentro de casa.

Sente-se com seus filhos e cônjuge ou parceiro e divida as tarefas e responsabilidades domésticas, para que não caiam totalmente em seus ombros.

6 – Ter tempo para o parceiro.

Permita-se desfrutar de momentos a dois. Isso é muito importante para nutrir o relacionamento com o parceiro e, consequentemente, fortalecer os vínculos familiares.

7 – Estabelecer uma refeição ao dia em família.

A família reunida na hora da refeição é fundamental para que todos possam trocar idéias e experiências, tirar dúvidas, relatar situações importantes do dia. Isso reforça os laços de boa convivência e promove a interação com a criança que tem autismo. Cabe aos pais, dentro desse contexto, transmitir valores e modelos educacionais nos quais os filhos possam pautar seus próprios comportamentos.

8 – Conversar com outros pais de filhos com autismo.

Você pode se sentir culpado, frustrado, triste, exausto, inseguro e ter rompantes de raiva. Esses sentimentos são humanos e você não é de ferro! Mas saiba que não está sozinho. Mantenha contato com outros pais de crianças com autismo e procure um grupo de apoio para trocar idéias e experiências. Você certamente se surpreenderá ao descobrir que existem muitas pessoas passando por situações semelhantes.

9 – Procurar oportunidades para seu filho desenvolver habilidades sociais.

Coloque a criança em clubes, academias e aulas, onde haja contato com outras crianças. Isso poderá ajudá-la a desenvolver habilidades sociais e até ter momentos de diversão. Mas é preciso estar atento, pois, muitas vezes, ela necessita de um adulto para mediar as brincadeiras a fim de que não seja discriminada e que, efetivamente, esteja integrada ao grupo.

10 – Trabalhar em conjunto com a escola.

Em escolas especiais ou de ensino regular, os professores vão elaborar um plano que atenda melhor as necessidades do seu filho. Se a escola não se lembrar de convidá-lo, mostre a sua vontade de participar da resolução dos problemas. Faça uma aliança com a escola e os professores; isso evita que você seja chamado somente em momentos de crise. Não desista de oferecer ajuda aos professores para que conheçam melhor seu filho e procure saber como reforçar o aprendizado escolar em casa.

11 – Lembrar os erros do passado.

Ninguém acerta sempre! Todos nos erramos quando tentamos fazer o melhor. Use fracassos passados para melhorar aprendizagem futura. Pensem juntos, você e seu filho, sobre o que poderiam ter feito diferente. Procure falar sobre esses sentimentos.

12 – Criar estratégias.

Muitas vezes pode parecer que nada adianta. Por mais que você se esforce, a criança parece não entender o que esta tentando ensinar. Saiba: ela pode aprender de maneira diferente ou mais lenta, mas é capaz de conseguir, sim ! Insista e discuta sempre com os profissionais novas maneiras e técnicas criativas capazes de trazer o estímulo necessário para que ela consiga aprender de forma eficaz. Persistência, perseverança e disciplina são as palavras-chave.

13 – Buscar ajuda especializada.

Muitas vezes os próprios pais podem estar desgastados com o diagnóstico e com os cuidados da criança com autismo. Assim, a busca por grupos de ajuda mútua, ou mesmo tratamento psicoterápico, pode ser de fundamental importância. Alem disso, procure por especialista em autismo para que suas dúvidas sejam sanadas. Afinal, só o saber constitui o verdadeiro poder, tão necessário ás mudanças reais.
Definitivamente, o lar jamais será o mesmo com a chegada de uma criança com autismo. Reestruturações radicais deverão ser feitas para o seu bom desenvolvimento, e para que a harmonia familiar se preserve. É preciso entender que ela olha, sente e percebe o mundo de forma muito diferente da nossa. Ela o vê fragmentado, aos pedacinhos, como se fosse um enorme quebra-cabeça, cujas peças precisam ser aos poucos encaixadas para que o mundo dela se mostre minimamente parecido com o nosso. E, mesmo que consiga montá-lo, as fendas e rachaduras estarão sempre por lá.
As pessoas do seu convívio precisam se colocar no lugar dessa criança e aos menos tentar ver o mundo com os olhos dela. Ajudá-la a construir palavra por palavra, frase por frase, imagem por imagem, até que consiga estabelecer vínculos ao redor.
   O grande “x” da questão para os pais, cuidadores e familiares não é só saber tudo sobre o autismo, mas estarem preparados para aprender diariamente aquilo que eles não sabem sobre a criança. Vê-la como realmente é, até que ela se sinta compreendida. Isto é que mantém o frescor do ensinamento cotidiano. Vocês se surpreenderão: ela tem muito mais a ensinar-lhes do que vocês a ela!

6 comentários:

  1. ADOREI A PROPOSTA. DIVULGANDO!!!

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  2. Nataly
    Adorei a iniciativa de seu blog. Tenho uma filha autista( provável Asperger) de 3 anos e meio e criei um grupo no facebook( Espaço Indigo) voltado a publicaçoes sobre autismo e outros transtornos de desenvolvimento, que afetam o comportamento social do indivíduo. Tb são feitas publicaçoes artísticas por lá( muitos amigos poetas-eu tb faço meus rabiscos rsrs-cartunistas, pintores, cantores, pais de autistas e tb amigos que abraçaram a causa e curtem as publicaçoes). Resolvi mesclar os dosi assuntos por achar que se relacionam muito, já que muitos autistas tem dons artísticos. Deixarei aqui um texto que gosto muito e resume nossa proposta. E queria tb convidá-la a participar do Espaço Indigo. Ficaria muito feliz em recebê-la por lá. Abaixo, segue o texto que mencionei a vc, espero que goste. Grande abraço!

    Divagações Artísticas.... Ou Autísticas...

    Somos todos autistas, a gradação está nos rótulosQuando me recuso a ter um autista em minha classe, em minha escola, alegando não estar preparado para isso, estou sendo resistente à mudança de ro...tina.Quando digo a meu aluno que responda a minha pergunta como quero e no tempo que determino, estou sendo agressivo.Quando espero que outra pessoa de minha... equipe de trabalho faça uma tarefa que pode ser feita por mim, estou a usando como ferramenta.

    Quando, numa conversa, me desligo, "viajo", estou olhando em foco desviante, estou tendo audição seletiva.Quando preciso desenvolver qualquer atividade da qual não sei exatamente o que esperam ou como fazer, posso me mostrar inquieto, ansioso e até hiperativo.Quando fico sacudindo meu pé, enrolando ...meu... cabelo com o dedo, mordendo a caneta ou coisa parecida, estou tendo movimentos estereotipados.Quando me recuso a participar de eventos, a dividir minhas experiências, a compartilhar conhecimentos, estou tendo atitudes isoladas e distantes.

    Quando nos momentos de raiva e frustração, soco o travesseiro, jogo objetos na parede ou quebro meus bibelôs, estou sendo agressivo e destrutivo.Quando atravesso a rua fora da faixa de pedestres, me excedo em comidas e bebidas, corro atrás de ladrões, estou demonstrando não ter medo de perigos reais.Quando evito abraçar conhecidos, apertar a mão de desconhecidos, acariciar pessoas queridas, estou tendo comportamento indiferente.Quando dirijo com os vidros fechados e canto alto, exibo meus tiques nervosos, rio ao ver alguém cair, estou tendo risos e movimentos não apropriados.

    Somos todos autistas. Uns mais, outros menos. O que difere é que em uns (os não rotulados), sobram malícia, jogo de cintura, hipocrisias e em outros (os rotulados) sobram autenticidade, ingenuidade e vontade de permanecer assim.

    Autora: Scheilla Abbud Vieira

    Fonte: Rede Saci

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  3. Muito verdadeiro mesmo!!!

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  4. Oi Nataly...
    Estava pesquisando sobre o livro " Mundo Singular" e encontrei seu blogger... Parabéns pelo post...E por divulgar e compartilhar assuntos sobre autismo...
    Beijos!
    San...

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  5. gostária de ter seu link no meu blog, eu pesquiso sobre todas as sindromes existentes e a de asperge também me interessa muito, quero saber se vc permite?

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  6. Muito bom o blog, o caminho é este a informação especializada. Pensando no sujeito como todo precisamos sim esta favorecendo suas habilidades individuais, estimulando seu comportamento social é verdadeiramente necessário para que o mesmo sinta-se capaz e participante daquele contexto familiar, social, escolar.

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